Nossa cidade é rica em tipos folclóricos. Lembro-me bem da figura do Sinhô, principalmente porque ele morava na esquina do quarteirão da casa da minha avó. E eu me lembro que eu já tinha uns 8 ou 9 anos, mas sentia certo receio ao passar por ali à noite. Não sei se era pelo casarão ou pela figura do Sinhô. Então, antes de sair de casa, eu ligava para minha avó me esperar na esquina.
Algum tempo depois que o Sinhô já havia morrido, quase em frente a casa dele, morava o Rosalino nos fundos de uma casa velha (ou de um armazém?). Nessa época, eu já era professora no Américo de Paiva. Ali era o caminho da criançada, cuja diversão era irritar o pobre coitado para vê-lo ficar bravo. O desafio era fugir do Rosalino, que corria atrás deles com um pedaço de pau e xingando. Havia também o Nhé-nhé, que era outra vítima da molecada, e por ser mudo, ele tentava xingar ou falar, mas só se entendia o “nhé-nhé”, daí o apelido. Será que ainda mora no asilo?
Mas a heroína mesmo desses tipos folclóricos é, sem dúvida nenhuma, a Cachimbinha. Eu ainda era adolescente e morávamos na Rua Presidente Vargas (hoje rua Dr. Pedro Paulino da Costa). Ali pelas seis horas da tarde, estávamos na mesa do jantar e, lá da cozinha, sentíamos o cheiro de cachimbo, e dizíamos “a Cachimbinha chegou”. Era “freguesa” do jantar.
Mas na semana passada, já à noitinha, um calor sufocante, resolvi ir à sorveteria do Gel. E qual não foi minha surpresa, ao entrar, deparar com a Cachimbinha, sentada numa das mesinhas, cochilando. Quase não acreditei, pois achava que já tivesse morrido. Então fiquei pensando, com toda a falta de higiene, sem uma alimentação decente, sem exames médicos periódicos, ou seja, com várias situações adversas à saúde, como pode ter resistido todos esses anos! É uma verdadeira “peça” de museu, viva e com direito a tombamento!
Professora Nilzinha






















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