terça-feira, 13 de março de 2012

Os Generais-presidentes e o momento atual

O grande jurista Rui Barbosa disse: “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
As pessoas tendem a crescer mediante o ambiente que lhes são favoráveis o desenvolvimento emocional, intelectual e espiritual. Mas o grande orador estava falando de um peixe voraz que crescia num aquário caseiro e aspirava a buscar o oceano para satisfazer a sua ganância incontrolável dessa sede de crescer e quem sabe, lá, poderia estabelecer as fronteiras de seus propinodutos mesmo que a adaptação para tal seja de início desconfortável e salgada.
Traduzindo o grande pensador, digo que, para uma boa gestão pública é conditione sine qua non liderança, comunicação, visão estratégica, capacidade de gerenciamento nas mudanças, habilidade no uso da tecnologia da informação, honra, dignidade, lealdade e fazer de tudo para o crescimento feliz em Deus da família e da pátria.
Lendo nas entrelinhas, vemos Rui afirmando o que facilita a corrupção: o Estado facilita tal procedimento por falta de planejamento e pela falta de informação que todo sistema de planejamento exige. Cada Ministério serve ao partido a que ele pertence.
Quando você tem prioridade, tem especificação do que precisa fazer, porque, quanto custa, quem vai fazer, como e onde fazer. Quando tudo isto funciona aberta e transparentemente é difícil roubar. Ora, hoje, até aplicar recursos em pequenos projetos no plano federal, estadual e municipal, que são a solução para grandes problemas é mal visto. Projeto barato é tido como coisa insignificante. O projeto que não tem muitos zeros de R$ é irrelevante.
Estatísticas e transparências são as grandes e límpidas coligações do político honesto porque números não mentem e falam por si.
Diminuir a fiscalização facilita a vinda dos urubus manhosos, não no lixão, mas no cifrão do povão. Olhe-se para as tais obras inacabadas – é muitas vezes, veículo da corrupção. Terceirização desmobiliza servidores e facilita corrupção e depois a culpa recai tão somente sobre o Estado, já na Privatização, se o gerenciamento falhar, a culpa é da administração da Empresa.
O bom administrador não é aquele que se diz entender a dor e distribui cestas básicas, mas aquele que tem dignidade e firmeza de encarar suas responsabilidades, ser honesto e competente para representar o interesse coletivo. Bons líderes são formados dentro da própria política. Há respostas boas e gente capacitada para solução dos problemas públicos, mas falta vontade firme, honesta e não obstante vamos ficar de luto até que algum político corrupto seja preso.
Fiquei pensando na ditadura de 1964 a 1984 – 20 anos e nos cinco generais-presidentes e comparei com a atual política brasileira.. .É óbvio que muitas arbitrariedades terríveis foram cometidas e houve tempos difíceis, mas olhando o outro lado da moeda promoveu-se grande modernização de estruturas materiais. Quando o primeiro presidente Castello Branco morreu num desastre aéreo, os seus herdeiros ficaram com um apartamento em Ipanema e algumas ações de empresas públicas e privadas. Arthur da Costa e Silva, até seu desenlace permaneceu no palácio das Laranjeiras e deixou à pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana. Garrastazu Médici tinha uma fazenda de gado em Bagé-RS como herança de família e, quando adoeceu, precisou de ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão. Ernesto Geisel comprou o sítio Cinamomos antes de assumir a presidência em Teresópolis que sua filha vendeu para manter-se no apartamento de três quartos e sala no Rio. João Batista de Oliveira Figueiredo não aguentou as despesas de seu sítio “Dragão “em Petrópolis, vendendo, primeiro os cavalos e em seguida a propriedade”. Sua viúva , há algum tempo falecida, deixou um apartamento em São Conrado e que os filhos colocaram à venda, ao que parece em péssimo estado.
Eles até perpetraram falhas, mas não enriqueceram com o dinheiro do povo, não se envolveram em negócios imorais, nem se serviram de propinoduto de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Também não agenciaram contratos para consultorias e palestras regiamente remuneradas. Bem, bem, bem diferente dos tempos atuais, não é mesmo?
Ia me esquecendo que há algum tempo ( entre 2003 a 2011) um funcionário do Butantã/SP percebendo R$ 1.200,00 e não muito tempo depois comprou uma fazenda em Araraquara/SP por uma ninharia de R$ 47.000.000,00 e puxa vida comprada à vista.
Muitos políticos, também trilharam e trilham o mesmo itinerário. Se se abrisse um processo para avaliar os bens de quase todos os políticos, é possível que 90% seriam reprovados, porque se comprovaria o enriquecimento ilícito pelas visitas das raposas ao galinheiro. Como dizia os Romanos: ubi terrarum (em que terra nós estamos). E que tal a volta da Guarda Pretoriana, “ilustres homens do povo”?


Professor Adhemar


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